Meu Pai,
a vergonha me consome.
Não venho pedir socorro. Venho apenas conformada, como um condenado que já aceitou o próprio destino.
Setenta vezes sete cometi o mesmo pecado.
Já não me julgo digna do teu perdão.
Meus olhos já não conseguem levantar-se aos céus.
Lamento a madrugada.
Choro.
Já não consigo dormir.
Procuro um lugar onde possa me esconder, mas não existe esconderijo para quem está diante de Ti.
Se subo aos céus, Tu lá estás. Se desço ao mais profundo abismo, também ali estás.
E é justamente isso que mais me fere: não consigo fugir do teu olhar, porque o teu amor me encontra até quando eu desejo desaparecer.
Permaneço em silêncio, com a alma coberta de vergonha, esperando apenas que a tua vontade se cumpra em mim.