Mulher virtuosa, dons e missão: além das paredes da casa
Tenho visto muitos artigos em páginas católicas e evangélicas tratando o chamado “feminismo” apenas de forma negativa, como se toda valorização da mulher fora do lar fosse contrária à vontade de Deus.
Muitos desses textos acabam limitando a mulher às paredes da casa, como se o único papel legítimo fosse cuidar do lar e da família.
Mas a própria Bíblia apresenta um retrato muito mais amplo, rico e verdadeiro.
Sim, a mulher virtuosa também cuida do lar.
Mas ela também trabalha, planeja, negocia, produz, vende, investe e serve.
A Escritura diz claramente:
“Examina um campo e compra-o.” (Provérbios 31,16)
“Faz roupas e vende.” (Provérbios 31,24)
“Cinge os lombos de força.” (Provérbios 31,17)
Ela arregaça as mangas.
Ela não espera sentada.
Ela constrói.
Seu valor não está apenas no que protege dentro de casa,
mas também no que edifica no mundo, com dignidade, caráter e temor a Deus.
A mulher virtuosa:
honra o lar, mas não enterra seus talentos;
ama a família, mas não anula sua missão;
caminha com o marido, não atrás dele.
Ela é coluna da casa e força na batalha da vida.
“Força e dignidade são os seus vestidos.” (Provérbios 31,25)
Nem toda mulher foi chamada à maternidade
Outro ponto ignorado por muitos desses discursos é que Deus distribui dons e vocações de forma diferente.
A Bíblia mostra claramente que nem toda mulher foi chamada para ser esposa ou mãe — e isso nunca diminuiu sua dignidade ou valor diante de Deus.
Vemos mulheres que:
seguiram Jesus,
sustentaram o ministério,
serviram ao Reino,
viveram consagradas,
sem que haja qualquer registro de filhos ou casamento.
Alguns exemplos:
Maria Madalena, discípula fiel e primeira testemunha da Ressurreição;
Marta e Maria, amigas íntimas de Jesus;
Joana e Susana, que ajudavam o ministério com seus bens (Lc 8,1–3);
Ana, a profetisa, viúva que permaneceu no Templo em oração e serviço.
Nenhuma delas é apresentada como incompleta.
O verdadeiro valor da mulher
A mulher não é definida:
pela maternidade,
nem pelo estado civil,
nem apenas pelo espaço doméstico ou profissional.
Ela é definida por:
sua fidelidade,
seu amor,
sua entrega a Deus
e o uso responsável dos dons que recebeu.
Reduzir a mulher a um único papel é empobrecer a própria obra do Criador.
Deus chama algumas ao lar, outras ao trabalho visível, outras à consagração, outras à maternidade — muitas a mais de uma dessas missões.
Todas com igual dignidade.
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