viernes, 16 de enero de 2026

Deus é Bom + Mau o Tempo Todo

Na exposição, um painel afirmava: “Deus é bom e mau o tempo todo.”
Essa frase, embora provocativa do ponto de vista simbólico, carrega uma afirmação que, à luz da fé cristã e da razão teológica, não se sustenta.

Deus não é mau.
Deus é bom, justo e perfeito.

O bem e o mal não coexistem em Deus como forças opostas. Eles existem na experiência humana, não na essência divina. O mal não nasce de Deus, mas da liberdade humana mal orientada, da ruptura, do afastamento da ordem do bem. Deus não contém o mal; Deus permite a liberdade, e é nessa liberdade que o mal pode surgir.

Quando falamos em emoções “boas” e “ruins”, estamos falando de nossa condição humana, limitada, ferida, ambígua. Somos nós que julgamos, sentimos, erramos, projetamos. Muitas vezes, atribuímos a Deus aquilo que pertence à nossa própria sombra, à nossa incapacidade de compreender o sofrimento, a justiça e o tempo.

Deus é justo — e a justiça divina não é vingança, nem maldade.
É ordem.
É verdade.
É amor que respeita a liberdade, mesmo quando essa liberdade O rejeita.

O maior exemplo disso não é um conceito abstrato, mas um fato: Deus não crucificou o homem; foi o homem quem crucificou Deus. O mal supremo não partiu do céu, mas da terra. Não foi Deus sendo “mau”, mas o ser humano sendo incapaz de reconhecer o bem absoluto quando Ele se apresentou desarmado, humilde e amoroso.

Dizer que Deus é “bom e mau” é, ainda que simbolicamente, reduzir Deus à psicologia humana, submetê-Lo às nossas categorias emocionais. Deus não é ambivalente. Quem é ambivalente somos nós.

O mal não é uma imperfeição em Deus — é uma privação do bem no homem.
Deus permanece bom mesmo diante do mal.
Permanece justo mesmo quando é injustiçado.
Permanece perfeito mesmo quando é rejeitado.

Talvez a frase do painel quisesse falar da tensão humana entre luz e sombra. Mas essa tensão não está em Deus — está em nós. E projetá-la no divino não liberta; confunde.

Deus é bom.
Deus é justo.
Deus é perfeito.

O mal existe não porque esteja em Deus, mas porque o homem, livre, pode afastar-se do bem.

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